Christine Lagarde deixa presidência do BCE a 7 de fevereiro

Christine Lagarde deixa presidência do BCE a 7 de fevereiro

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, anunciou esta quinta-feira que irá cessar funções a 7 de fevereiro de 2027.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Heiko Becker - Reuters

“Acabei de informar os meus colegas no Banco Central Europeu que vou cessar funções com efeito a 7 de fevereiro de 2027, após o conselho de governação da política monetária”, anunciou Lagarde na rede social X.


“Tem sido motivo de grande orgulho servir esta instituição. Agradeço a todos aqueles que me apoiaram nesta caminhada ao longo dos últimos sete anos”, acrescenta.

"Penso que deixo esta instituição com a sensação de dever cumprido e com um BCE preparado para o futuro", considera.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse respeitar a decisão da presidente do BCE e elogiou o “profundo sentido de dever e responsabilidade” de Christine Lagarde.


Na rede social X, o dirigente português anunciou ainda o início que vai dar início, já esta quinta-feira, ao processo de sucessão no comando da instituição sediada em Frankfurt, "com vista a uma decisão rápida do Conselho Europeu, reunido na formação da zona euro".

Christine Lagarde é presidente do Banco Central Europeu desde novembro de 2019. Deixa a presidência da organização cerca de nove meses antes do final do seu mandato, previsto para o final de outubro de 2027.
O percurso de Lagarde
Christine Lagarde foi ministra da Economia do antigo presidente francês Nicolas Sarkozy, entre 2007 e 2011, tendo passado depois para diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) até 2019. Nesse ano foi eleita presidente do BCE, sucedendo a Mario Draghi. Lagarde tornou-se uma das figuras mais influentes da economia global, tendo sido a primeira mulher a liderar o FMI e o BCE, bem como a primeira mulher a assumir a pasta das Finanças de um país do G7.

Com formação em advocacia e sem experiência em política monetária, o percurso da francesa de 70 anos à frente do BCE acompanhou as grandes turbulências globais deste século: da crise financeira de 2008 ao regresso de Donald Trump, passando pela pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia, a ascensão da Inteligência Artificial ??e a emergência climática.

Em setembro, Lagarde afastou a possibilidade de uma candidatura à presidência francesa, mas foi apontada como possível candidata para assumir o comando do Fórum Económico Mundial de Davos.
Possíveis sucessores
Os candidatos à sucessão da presidente do BCE têm vindo a posicionar-se há meses.

Entre os possíveis nomes está o holandês Klaas Knot, um economista especializado em política monetária, de 59 anos, que cumpriu dois mandatos à frente do banco central holandês. Desde então tem dedicado a maior parte do seu tempo a funções de consultoria ou à sua candidatura à presidência do BCE.

Knot integrou o Conselho de Governadores do BCE durante 14 anos, participando em mais de uma centena de reuniões de decisão sobre taxas de juro.

Knot é geralmente classificado como um “falcão” pragmático: defende políticas monetárias relativamente mais restritivas e maior atenção à inflação. Foi crítico de parte dos estímulos muito expansivos do BCE durante a presidência de Mario Draghi, mas alinhou-se mais com Christine Lagarde.

Pablo Hernandez de Cos é outro dos nomes apontados para a sucessão de Lagarde. É um economista espanhol, atual diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS), em Basileia, e ex-governador do Banco de Espanha.

O espanhol de 55 anos é um defensor de políticas monetárias mais flexíveis, aquilo a que, na gíria económica, se chama "pomba".


Em terceiro na lista de possíveis sucessores de Lagarde está Joachim Nagel. Com 60 anos, Nagel é um economista alemão e presidente do Deutsche Bundesbank desde janeiro de 2022.

Tal como Knot, Nagel é membro do Conselho de Governadores do BCE e é também classificado como um “falcão”, embora seja descrito como mais pragmático e menos rígido do que alguns antecessores alemães.

A decisão final sobre o sucessor de Lagarde cabe ao Conselho Europeu. De acordo com as regras da UE, os 21 países da zona euro devem chegar a um consenso sobre o nome de um sucessor, que é depois submetido aos seus líderes. Estes tomam a decisão final durante uma reunião do Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado e de Governo dos 27 países do bloco europeu.

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